• Barulhista

Torcida

Atualizado: Abr 8

Todos sabemos a importância do futebol, mesmo os que como eu não dão importância alguma, na existência do ser brasileiro. Ainda que sem querer a gente sabe o nome Pelé em algum momento da vida. E também algum nome de time, algum drible, alguma regra, enfim.


Estava eu sentado num banquinho de madeira, desses – de criança esperar almoço ficar pronto – típicos de casa de vó, no caso era casa do meu tio Toninho. Esse conversava com Cláudio, um amigo, sobre o clássico atlético e cruzeiro, e sobre todas as possibilidades de um dos dois ganhar. Não posso ir Cláudio, a barra é pesada demais no clássico. Daí como eu levo os meninos? Ele se referia aos meus dois primos, 11 e 5 anos (atualmente 20 e 14 anos) que neste momento davam tapas no chão cheios de figurinhas da Copa passada. Poxa Toninho os meninos vão adorar. Logo que ouviram da possível ida ao Mineirão os dois levantaram a cabeça alongando o pescoço feito duas tartaruguinhas de brinquedo. Sem chance Cláudio, é muita bagunça, muito barulho, sem contar os palavrões. Verdade, é palavrão sem parar e hoje quem apita é o Osmar. Puta que… aí tá vendo? 2 horas de palavrão não é pra criança. Mas eles precisam entender isso um dia Toninho, palavrão faz parte do esporte. Cláudio, os meus meninos nem sabem o que é palavrão. Que isso Toninho, esses meninos já cresceram. O de 11 anos já estava colando as figurinhas e o de 5 com total atenção na conversa.

Bom, se não vai eu vou, mais tarde passo aqui.


Já podemos brincar de bola? Já deu uma hora que vocês almoçaram? Já deu duas mãe. Então vai.


Eu fui junto integrando o trio. Você não Celsinho. Você é ímpar vai ficar sobrando, fica sentado no banco. Sentado no banco fazendo o que? Tentando acabar com a briga eu disse: fica na torcida, torce pro meu time. Celsinho riu de canto e sentou.


Mal a bola encostou no chão e Celsinho gritando feito uma sirene: BUNDA BOSTA BUNDA BOSTA

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